terça-feira, 13 de janeiro de 2015

OS SETE SABERES NECESSÁRIOS À EDUCAÇÃO DO FUTURO


INFORMAÇÕES [1]
Edgar Nahoun (que mais tarde adotará o sobrenome "Morin"), autor de “Os sete saberes necessários à educação do futuro” nasceu em Paris no dia 8 de julho. É o filho único de um casal de judeus sefarditas (descendentes dos judeus expulsos da Península Ibérica em 1492/1496). Desde cedo expressa sua apreciação pelo cinema, livros, música e política estando envolvido em atividades políticas desde muito cedo na Frente Popular e na Guerra Civil Espanhola. Viveu e conviveu com a segunda guerra mundial tendo nesta época influência socialista. O livro, "L’An Zéro de l’Allemagne" (O Ano Zero da Alemanha) foi o primeiro de uma série que têm sido apontados como grandes contribuições ao pensamento do século XX. Quando escreveu "L’Homme et la Mort" (O Homem e a Morte), Morin formaria a base de sua cultura transdisciplinar enfocando a geografia humana, etnografia, pré-história, psicologia infantil, psicanálise, história das religiões, ciência das mitologias, história das idéias, filosofia. Como conferencista já esteve em diversos países, inclusive no Brasil mais de uma vez participando de Congressos e Palestras em Associações e Universidades. À Morin foi solicitado pela UNESCO, escrever sobre a educação do amanhã e traz à nossas mãos a obra Os sete saberes necessários à educação do futuro  que se torna uma grande contribuição ao tema.


RESUMO
Toda sociedade regida por sua própria cultura precisa tratar de sete saberes que são considerados como necessários e fundamentais à educação do futuro, a saber:
1. As cegueiras do conhecimento: o erro e a ilusão – uma das preocupações da educação é a transmissão de conhecimento. Entretanto é importante que esteja alerta quanto à possibilidade do ‘erro e da ilusão’.  O ser humano por sua própria natureza determina que coisas vai aceitar ou rejeitar.  A mente exclui o que não convém ou o que não consegue assimilar e para isso faz uso da razão. A racionalidade analisa e critica. A racionalização cai no perigo de se formar um modelo “mecanicista e determinista” e nega a contestação.  O ser humano em sua natureza cria as idéias e ao mesmo tempo é dirigido por elas. Muitas destas provém de sua característica a “noosfera – a esfera das coisas do espírito” (p.28). A cada momento estamos em contato com o novo e o inesperado e à educação cabe o papel possibilitar o acesso ao conhecimento. 2. Os princípios do conhecimento pertinente – um conhecimento isolado perde de seu valor quando não está inserido em conhecimentos parciais e globais. Todo conhecimento deve estar inserido no todo e não visando somente partes. O conhecimento pertinente é aquele que é capaz de situar qualquer informação em seu contexto, no conjunto em que está inserido. Para isso é necessário levar-se em conta a compreensão, a percepção do objeto, das pessoas, dos acontecimentos e as relações estabelecidas. Um desafio para a educação de hoje é essa conjugação entre as partes e o todo. 3. Ensinar a condição humana -  Compreender o ser humano com todas a múltiplas complexidades do que significa este ‘humano’ é o desafio para o futuro. Leva-se em conta sua condição cósmica pertencente a um universo complexo; sua condição física e suas potencialidades e limitações, sua condição de ser vivente terrestre, sua condição humana como ser animal. A sociedade e a cultura marcam com sua diversidade e pluralidade as características do humano e constituem desafio para a educação do futuro. 4. Ensinar a identidade terrena -  a necessidade de se conscientizar o estudante a se apropriar de sua condição terrena constitui importante aspecto. Somos todos seres pertencentes ao mesmo conjunto global. A ‘planetarização’, característica do desenvolvimento do planeta terra, traz em sua história aspectos que o une, como por exemplo, através da tecnologia e aspectos que o desunem como a não compreensão das diferenças entre as nações. 5. Enfrentar as incertezas - O mundo é uma constante de mudanças. Inovações e criações geram mudanças constroem novas perspectivas e destroem o construído. É a incerteza, é o risco. Cabe a educação ensinar o enfrentamento das incertezas ajudando o estudante a manter uma constante vigilância nas mudanças. 6. Ensinar a compreensão – A missão espiritual da educação é ajudar as pessoas a manterem um espírito colaborativo, com foco na empatia, na identificação com o outro num processo constante de re-aprender. 7. A ética do gênero Humano – A democracia chama pela autonomia dos indivíduos. Entretanto é frágil, incompleta e vive seus conflitos.  O avanço tecnológico apesar de grandes contribuições, traz o prejuízo da ‘fragmentação do saber’. A antropo-ética se propõe ao resgate do civismo da solidariedade, da responsabilidade a uma maior consciência da relação indivíduo singular e espécie humana.

CRÍTICA
A obra “Os sete saberes necessários à educação do futuro” vem atrelada ao tema central do Relatório da Comissão Internacional sobre a educação para o século XXI com enfoque no conhecer, fazer, conviver e ser. Os sete saberes apontados por Morin vêm como uma cascata interligando-se na argumentação do escritor proporcionando ao leitor uma compreensão do texto como um todo. Em cada item o leitor vai criando uma identificação com os problemas do presente século. Entretanto sua linguagem é complexa, argumentativa e exige do leitor cuidado e atenção. Quando inicia falando sobre o erro e a ilusão Morin com muita propriedade argumenta sobre como o ser humano, em contato com o conhecimento,  pode vir a se deixar levar. A educação pode ajudar o homem a ter uma consciência mais crítica. Este primeiro momento do livro se articula muito bem com o que se segue que é o conhecimento pertinente que é aquele “capaz de situar qualquer informação em seu contexto”[2] . Isabel Alarcão[3] ao falar sobre a formação de professores parte do conceito do conhecimento pertinente e diz que se este conceito é valido para a educação é igualmente válido para o que se realiza em educação, ou seja, o trabalho do professor. Para “intervir’ é preciso “analisar os contornos da crise, perceber os factores que estão na sua génese, congregar esforços e intervir sistemática e coerentemente”.[4] O item destinado à conscientização do planeta terra, identidade terrena, faz reforçar o que tem sido palco de acirradas discussões e de tantas lutas que alguns grupos levantam como bandeira. Cuidar do planeta terra, harmonizar todas as forças na busca de um modo de vida mais feliz para todos é importante tarefa da educação. A concorrência desleal a competitividade destruidora não traz benefícios para o ser humano quando visto em sua integralidade. Aliás, Morin quando se refere ao ser humano sempre o coloca como espécie, observando sua integralidade, um ser integral histórica e socialmente. A condição de humano complexo, é descrito de forma igualmente complexa constituindo uma leitura que exige esforços para sua compreensão. Enfrentar as incertezas e Ensinar a compreensão constituem, no parecer desta resenhista em um dos aspectos mais importantes de toda esta obra.  A frase “aprender a navegar em um oceano de incertezas em meio a arquipélagos de certeza” (p. 91) provoca no leitor um momento de  reflexão que o leva a parar para pensar na velocidade com que o conhecimento se desenvolve. Há que afirme que o ser humano não é capar de captar um bilionésimo de informações que estão disponíveis a ele. A incerteza decorrente desta aceleração faz lembrar das palavras de Larossa[5] que afirma que a ‘experiência’ “requer um gesto de interrupção: requer parar para pensar, parar para olhar, parar para escutar, pensar mais devagar [...] parar para sentir, sentir mais devagar, demorar-se nos detalhes [...] falar sobre o que nos acontece, aprender a lentidão, escutar os outros, cultivar a arte do encontro, calar muito, e ter paciência e dar-se tempo e espaço”. Quando Morin delega à educação o ‘ensino das incertezas’, concorda com Larossa quanto a este momento de ‘parar para’ ... a compreensão desta complexidade do ser humano, buscando fazer com que cada experiência vivida traga um sentido e significado em meio a este ‘oceano’ de incertezas. A forma como o autor descreve a  dialética compreensão/incompreensão desafia o leitor a pensar seu papel de educador, educando, cidadão, pai, mãe, patrão, enfim, seu papel na sociedade.

Conclusão - A linguagem e o estilo literário de Morin requerem atenção e concentração do leitor. Em alguns capítulos, o desenvolvimento dos textos em sub-títulos são curtos e parecem pedir maiores esclarecimentos caracterizando um estilo de escrita. A presente obra traz uma contribuição à área da educação que recomendo ao leitor interessado no presente e no futuro da educação.


Madalena de Oliveira Molochenco
Bacharel em Teologia com especialização em Educação Religiosa,  Licenciatura em Pedagogia, Pós-graduação em Magistério do Ensino Superior e Psicopedagogia, Pós-graduação em Formação de Professores para o Ensino Religioso Escolar, Mestre em Distúrbios do Desenvolvimento, Doutoranda em Educação. Professora da Faculdade Teológica Batista de São Paulo há mais de 20 anos, onde hoje desempenha a função de Coordenação acadêmica. Membro do Comitê Consultivo de Educação Religiosa da CBB.






[1] http://edgarmorin.sescsp.org.br – acesso em 05/02/2007
[2] MORIN, Edgar. A cabeça bem feita. Rio de Janeiro : Bertrand Brasil, 2004.
[3] ALARCÃO, Isabel, professores reflexivos em uma escola reflexiva. São Paulo : Cortez, 2003
[4] Idem. p.15
[5] LAROSSA, Jorge Bondia. Nota sobre a experiência e o saber da experiência. Leituras. (Textos-subsídio ao trabalho pedagógico das Unidades da rede Municipal de Educação de Campinas). Campinas, 2001.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

RESENHA: ESCRITORES DA LIBERDADE

“Educação se constrói. Não é algo inventado, ou adquirido de uma hora para outra. É feita no dia-a-dia. Em um momento pode-se colocar tudo a perder, se nós educadores não amarmos o que fazemos e também aqueles para quem fazemos”. (Marjorie E. Navarro)


Há algum tempo assisti ao Filme Escritores da Liberdade. Gostaria de falar um pouco sobre ele. É um filme baseado em fatos reais. A história se passa por volta do ano de 1992, onde a cidade de Los Angeles vive uma verdadeira guerra nos seus bairros mais pobres, causados por gangues que são movidos pelas tensões raciais.


 O filme nos fala de uma instituição chamada escola, que não consegue promover a educação para um grupo marginalizado, uma instituição que valoriza os chamados bons e exclui aqueles que precisam lutar dia-a-dia pela própria vida, que nem sabe se chegará a maioridade.


É meio a este drama, vivido por adolescentes na faixa etária entre 14 e 15 anos que Erin Gruwell assume a sala de aula. Uma professora recém-formada, cheia de sonhos e, ideais. Ela fora criada em berço de ouro, ostenta suas belas pérolas, mas aos poucos vai percebendo que se não mudar suas atitudes, não conseguirá atingir nem o coração e, nem a mente de seus alunos. Ela imaginava que todos os alunos iriam corresponder ao seu modelo educacional, tornando-se frustrante os primeiros encontros, as brigas, os desencontros e as insatisfações são constantes nas expressões dos alunos, simplesmente ela é ignorada a ponto de ficar sozinha na sala de aula.

Aquela turma era uma turma excluída. Não eram aceitos pela sociedade de sua cidade, muito menos pela sociedade escolar. Eram alunos negros, mulatos e latinos, fadados ao fracasso, porque não acreditavam em si próprios. 

Erin leva até a direção da Escola Wilson a dificuldade encontrada em sala de aula, e também é ignorada inclusive pela direção da escola. Erin não desiste, chega em sala de aula com uma proposta de trabalho que se identifica com os alunos, fala com eles através do Hap, a música que eles gostam. No primeiro momento os argumentos são bizarros, os questionamentos são ofensivos: “...o que você faz aqui? o que vai fazer não vai mudar minha vida...” Por ela ser branca e rica, eles acabam achando que aquilo é um tipo de zombaria com eles e não aceitam a atitude dela. Profundamente assustada a professora responde perguntado se vale a pena participar de gangues, e se serão lembrados pelas atitudes. 

Nesse instante a primeira semente é lançada, cada um tem a oportunidade de falar de si próprio, de seus medos, suas angústias, suas mágoas e demasiada violência. Ao manter este contato com alunos, e participando de forma ativa no mundo deles, a professora conquista a confiança, desse modo passa a etapa de superação das dificuldades, através da metodologia da leitura e escrita em diários. Eles registram tudo o que sentirem vontade de escrever a respeito da sua vida.

O respeito e autoconfiança são resgatados. Erin apresenta uma nova realidade possível de transformação. Os alunos saem da condição de marginalidade, de oprimidos e iniciam no campo das possibilidades, ao lutarem pelos seus ideais, pelas suas conquistas ao enfrentarem os obstáculos, não mais com a violência, mais com o conhecimento.

Gostaria de instigar o seu pensamento neste momento: o que estamos de fato fazendo em sala de aula que pode mudar a vida dos nossos alunos? O que estamos fazendo de diferente para que possamos vê-los estudando, ao invés de entrar para uma gangue ou usar drogas? O que precisamos mudar em nosso jeito de ser, falar, agir...? O que precisamos ensinar? 

O filme Escritores da Liberdade traz na sua essência o resgate e a valorização a “Educação”. Te seu ápice, quando a professora lê as histórias escritas por eles, seus alunos e, viaja no mundo onde eles vivem, sente o que eles sentem e, sofre por pessoas que ninguém daria nada.

Quero deixar o grande desafio para cada um dos educadores de nosso país: não importa qual o lugar que estejamos atuando, precisamos sim, entender como nossos alunos vivem, o que sentem... Precisamos contextualizar o ensino, precisamos entender a diversidade e a pluralidade cultural, precisamos assimilar as diferenças sociais e econômicas, sem excluir ninguém.

Marjorie Esquina Navarro
Pedagoga, Missionária da Junta de Missões Nacionais da Convenção Batista Brasileira.
Trabalha como Educadora Social no Lar David Gomes em Barreiras, BA.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

AS DISPENSAS DE DEUS

Diz o Apóstolo Paulo: "O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades, em glória, por Cristo Jesus". (Fp 4.19)

São ricas as despensas de Deus e suficientes para suprir todas as necessidades de suas criaturas.

Repare nas suas despensas no mundo físico. Aí está o subsolo a armazenar o petróleo, o ouro, a prata, o ferro, a energia nuclear, e outras riquezas tão necessárias aos homens.

Repare na abundância dos recursos para a alimentação e saúde do homem, que Deus guarda em suas despensas da fauna e da flora deste mundo!

Assim providente, em sua bondade Deus nos oferece as despensas da sua graça.

Deus tem reservas de bondade, de perdão, de alegria, de forças, de coragem, de paz, de consolação, para suprir todas as nossas necessidades, e cada uma delas, suas e minhas.

Deus tem reservas de bondade, de perdão, de alegria, de forças, de coragem, de paz, de consolação, para suprir todas as nossas necessidades, e cada uma delas, suas e minhas

Note, entretanto, que as despensas não estão abertas. É com as chaves da ciência e da tecnologia que o homem abre os tesouros do mundo físico e retira os bens e valores com que constrói sua cultura, sua civilização, e os objetos todos para seu conforto.

Pois bem. Assim como a ciência e a tecnologia abrem as despensas do Universo material, é a fé que faz escancarar-se a porta da graça de Deus, das riquezas da sua graça. É pela fé, singela e real, que você poderá apropriar-se da bênção do perdão de seus pecados, da fortuna da eterna salvação, das alegrias para seu coração dorido, das forças para seu caminhar vacilante, da coragem para seu coração temeroso, da paz para sua alma em conflito, da consolação para as feridas abertas em seu ser.

Para abrir as despensas espiritu¬ais não adiantam a cultura, a fortuna, a ciência, o saber; só a chave da fé, da confiança pessoal em Jesus Cristo conseguirá fazê-lo. Ele diz: "Tudo o que pedirdes, em oração, crendo, recebereis".

Então, estenda a mão da fé e receba a bênção de Deus para sua vida e sua família. Lembre-se, outra vez, da promessa, agora na tradução em "linguagem de hoje": "E o meu Deus lhes dará tudo o que vocês preci¬sam, de acordo com as gloriosas ri¬quezas que tem para oferecer por meio de Cristo Jesus".(Fp 4.19, BLH).

Irland Pereira de Azevedo
Pastor emérito da Primeira Igreja Batista de São Paulo, SP



PAIS, SEU FILHO TEM VISTO CRISTO EM VOCÊS?

Educação – “Processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral do ser humano”.
Educar – Instruir.
Educação Cristã Infantil – Processo de desenvolvimento da capacidade espiritual da criança.

A criança, este pequenino ser terá o seu primeiro lugar de instrução no lar, na sua família. Os seus pais serão os primeiros educadores, que desenvolverão o processo da capacidade física, intelectual, moral e espiritual da mesma. O que os pais deixarem de fazer jamais será feito, esta lacuna ficará e também os seus efeitos negativos. A Igreja também tem uma grande influência na educação religiosa da criança. “Educar é formar cidadãos críticos, capazes de rejeitar ou recriar os fenômenos que a sociedade inventa ou que eles mesmos criam para a felicidade”. Educar não é preparar para o futuro. Educar é preparar para viver hoje em plenitude. “Criança é semente de paz ou de guerra”. Durante toda a vida aprendemos, entretanto a fase de 0 a 6 anos é de máxima importância. A estrutura do ser humano, como obra inabalável está nos seu alicerce. No homem, o alicerce emocional define ou compromete toda a obra. “Instrui o menino no caminho que deve andar e até quando envelhecer não se desviará dele”. (Provérbios 22:6)

Educar não é preparar para o futuro. Educar é preparar para viver hoje em plenitude

A Igreja não pode falhar com a contribuição religiosa, mesmo que não passe de 3 horas semanais. A escola também tem seu importante papel na educação da criança. A criança está na escola cada vez mais cedo. É preciso capacitar os educadores que estão ajudando na definição do comportamento emocional. “Já se tem absoluta certeza de que a herança genética, o ambiente e a educação, determinam o homem”.

Deus tem me dado o grande privilégio de trabalhar com crianças na Igreja, desde os meus 15 anos. Sempre me aperfeiçoando e procurando usar os métodos mais adequados, e daí senti a necessidade de mostrar algumas falhas, cometidas pelos pais e pela Igreja, sem falar da escola secular. As crianças são puras e reais. Por isso tomamos conhecimento de como os pais cristãos estão falhando. As crianças não estão nem aí para o que nós dizemos e sim para o que nós fazemos.

As crianças não estão nem aí para o que nós dizemos e sim para o que nós fazemos.

Pais, seu filho tem visto Cristo em vocês? Tem sentido em vocês a sua pureza e o seu perdão? Tem visto o seu amor em vocês? E você professor de crianças? Eles podem seguir o seu exemplo? Pais, professores, “nós somos telas que servem de televisor, para que os nossos filhos ou alunos vejam o nosso Deus”. As famílias cristãs estão deixando para a Igreja a tarefa da educação religiosa de seus filhos, e a Igreja tem falhado não escolhendo bem as pessoas que estarão trabalhando com elas. Não procuram saber quem são essas pessoas. O professor precisa estar preparado para saber como encaminhar certos problemas. No congresso da família, numa Igreja, eu e a líder dos amigos de missões, trabalhamos com as crianças. Num dos dias do Congresso, nós fizemos de conta que estávamos em casa, e no meio da conversa eu perguntei o que as crianças mais gostavam e elas responderam: quando meu pai e minha mãe estão em casa. E o que elas não gostavam: das brigas do meu pai e da minha mãe.

As famílias cristãs estão deixando para a Igreja a tarefa da educação religiosa de seus filhos, e a Igreja tem falhado não escolhendo bem as pessoas que estarão trabalhando com elas.

Eu tive o privilégio de trabalhar como missionária voluntária no presídio, e constatei com muita tristeza que, de fato, 80% dos presidiários vêm de lares cristãos. Os pais e as igrejas têm falhado. O que estamos fazendo, ou melhor, o que estamos deixando de fazer? Eu trabalho já há muitos anos com Juniores e Mensageiras do Rei, geralmente eles aceitam a Cristo e querem se batizar, e nós fazemos o discipulado infantil com eles. Muitos pais não consentem que seus filhos se batizem. E muitos não se batizam mais. Os pais e professores de crianças precisam falar de Cristo. Da necessidade de salvação. Os mandamentos de Deus precisam ser ensinados, conforme Deus ordenou e Moisés passou ao povo, em Deuteronômio 11:19: “Ensina aos teus filhos os mandamentos de Deus em casa, andando pelo caminho, deitando e levantando”. Instruindo sempre.

Pais ensinem aos seus filhos com amor e alegria, sabendo que: “os filhos são herança do Senhor, e o fruto do ventre o seu galardão”(Salmos 127:3). Ensine seu filho ou aluno a confiar no Senhor, ore com ele, ache tempo para contar-lhe histórias da Bíblia e fazer a leitura da mesma. Não justifique por falta de tempo fazer a leitura da Bíblia, nem que o seu filho não tem tempo para preparar as lições bíblicas e os estudos das Mensageiras do Rei ou Embaixadores. Nós sabemos que se dividirmos o nosso tempo, 24 horas do dia serão suficientes para a realização de todas as atividades. As crianças são preciosas para Deus, Jesus, seu filho amado “as abençoou e tomou em seus braços”. Ele deseja que nós as levemos a Jesus. Pais, professores, não as impeçam de vir a Jesus. “Uma senhora disse: Pastor, o senhor está fracassando em seu ministério porque só batizou um menino”. Esse menino se tornou um grande missionário à África, Roberto Moffat, sogro de Davi Livingstone. Há muitos anos, um menino esfarrapado e faminto, fugitivo de um asilo na Inglaterra desembarcou como clandestino em Nova Orleans. Iria ser repatriado, e o menino suplicava que o deixassem na América. Um funcionário da Companhia de Navegação perguntou-lhe: Que faremos de uma coisa como você? E a resposta rápida foi: Fazem-se homens de coisas como eu. Um senhor que estava perto, ficou tão impressionado que o acolheu e o criou até tornar-se moço. Esse moço se tornou H. Norton Stanley, o jornalista que foi à África em busca de Davi Livingstone. Está entre os nobres e seu nome é venerado.

Pais, nem todas as pessoas da igreja podem ser amigas de seus filhos. Pais e professores tem uma parcela enorme de responsabilidade para o preparo moral e espiritual da criança. Antes de salvar o mundo, precisamos amar e salvar nossos filhos ou alunos. Não precisamos falar, mas precisamos viver o que falamos. O professor deve gastar tempo durante a semana, preparando as lições. A criança, até mesmo no berçário sabe que você está enrolando, que você nada preparou para ensinar. As crianças estão na era do computador, tudo é muito bem feito secularmente. E nós, como fazemos? Precisamos preparar bem as lições e fazer uso desse rico material. Tenho notado, com tristeza, que muitos professores em nossas Igrejas estão deixando de usar o nosso material, que é tão rico, para usar outro material, que muitas vezes nada tem a ver com a nossa doutrina, quando não, fazendo uso de material secular, muito bom, mas que não vai resolver a sua necessidade espiritual.

Hoje também, não estamos usando as músicas dos hinos encontrados em hinários infantis que ensinam a criança a orar e a sentir desejo de estudar a Bíblia. Pais e professores cristãos, nós temos um tesouro do Senhor em nossas mãos, realizemos com amor e firmeza a nossa parte. Segundo o professor Rubens Alves: “Os professores são pastores da alegria”. Alegria por ver seus alunos aprendendo. Alegria por ver as pessoas que foram preparadas por nós estarem hoje fazendo o trabalho que nós lhes ensinamos. Pais, professores, que os outros possam dizer de nós o que Paulo disse a Timóteo, em sua segunda carta: “Recordo-me da sua fé não fingida, que primeiro habitou em sua avó Loíde, e em sua mãe Eunice, e estou convencido de que também habita em você”. (2 Timóteo 1:3)

Berenice Bezerra Ferreira
 Graduada em História Natural, Ciências, Matemática e Biologia pela Faculdade Santa Úrsula. Pós-Graduação em Educação Cristã pelo CIEM, aguardando o início do Mestrado. Educadora Cristã da Igreja e Coordenadora da MCA. e Mensageiras do Rei. Professora de Juniores na EBD. 1ª Secretária da Igreja e do Depto. Feminino da OMEBE (Ordem dos Ministros Evangélicos no Brasil e no Exterior). Líder do Ministério Internacional Mães Unidas em Oração (www.maesunidasemoracao.org).  Participa do trabalho voluntario da Igreja com moradores de Rua.  Articulista de jornal secular  sobre crianças em risco.

ENSINA A CRIANÇA

"Ensina a criança no caminho  em deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele." (Pv 22.6)

Nestes tempos da pós-modernidade, a família enfrenta tremendos desafios quando o materialismo, a violência, as drogas, o sexo livre e a perversão de costumes proliferam por toda parte, sendo que a mídia se encarrega de propagar o mal com rapidez impressionante. E diante do quadro tenebroso que aí está, sem dúvida, o maior desafio que a família enfrenta é o da educação dos filhos, especialmente enquanto crianças.

A criança pode ser comparada a uma página em branco, onde podemos escrever  o que quisermos: os poemas mais belos ou mensagens eivadas de maldade. Desse modo, dependendo do que ensinamos, podemos preparar a criança - o homem ou a mulher de amanhã - para ser bênção ou maldição no meio social. Tudo dependerá da maneira como a educarmos. A propósito, certa vez alguém perguntou a um sábio quando se deveria começar a educar a criança, ao que ele respondeu: "Dá-me uma criança até os seis anos de idade, e depois poderás fazer dela o que quizeres". O que ele queria dizer é que a educação da criança deve começar o mais cedo possível, na mais tenra idade. Eu diria que para que essa educação seja ideal, a mãe da criança precisa ser educada antes de dar à luz um novo ser, pois ninguém pode dar o que não tem. "Não pode uma árvore má produzir frutos bons".

A criança pode ser comparada a uma página em branco, onde podemos escrever  o que quisermos: os poemas mais belos ou mensagens eivadas de maldade. Desse modo, dependendo do que ensinamos, podemos preparar a criança - o homem ou a mulher de amanhã - para ser bênção ou maldição no meio social.

No dizer de Fulton Sheen, "a criança vem ao mundo desprovida de todo o conhecimento e de toda compreensão. Seu espírito, embora vazio, no princípio, é um terreno fértil para a semeadura". Portanto, essa página em branco ou esse terreno fértil está diante dos pais para receber o bom ou mau exemplo, a boa ou má influência.

"Ensina a criança", preconiza a Palavra de Deus no texto em epigrafe. Mas, como ensiná-la? Que devemos oferecer à criança para que o seu crescimento seja abençoado, tanto do ponto de vista físico, quanto emocional, intelectual e espiritual? É o que veremos a seguir.

Em primeiro lugar, devemos oferecer à criança um ambiente de paz e harmonia em nossos lares. Isto é de fundamental importância quando se pensa na educação dos filhos.  O lar em que o desassossego, os desentendimentos e as discussões acaloradas acontecem com frequência, impossibilita o desenvolvimento normal da criança. Não há nada mais prejudicial à personalidade em formação do que os pais discutirem e brigarem na presença das crianças e, não raro, se agredirem verbal a até fisicamente, em alguns casos. A criança que assiste a um quadro, assim deprimente, é vítima de terríveis traumas emocionais. Muitos complexos e recalques que se revelam na idade adulta, tem sua gênese na infância, como resultado de um ambiente em que a desarmonia predominava e os pais se descontrolavam emocionalmente.
Não há nada mais prejudicial à personalidade em formação do que os pais discutirem e brigarem na presença das crianças

A Palavra de Deus adverte contra determinados procedimentos considerados indignos dos verdadeiros crentes, pessoas nascidas de novo, pela atuação poderosa do Espírito Santo. Entre os vários pecados condenados na Escritura são mencionados os seguintes: "Toda a amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmia sejam tiradas dentre vós, bem como toda a malícia. Antes sede bondosos uns para com os outros, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo" (Ef 4.31-32). Os pais devem, pois, evitar tudo o que possa perturbar a paz e harmonia do lar e  prejudicar emocionalmente as crianças sob seus cuidados.

Em segundo lugar, outra forma das mais eficazes de educar a criança, é através do exemplo que seja digno de imitação. Este é outro fator da mais alta importância no ensino das crianças, pelo fato de elas estão de olho em tudo que fazemos e de ouvidos atentos a tudo que dizemos. Conforme aquele pensamento tantas vezes repetido e verdadeiro, "uma imagem vale mais do que mil palavras". De fato, a criança aprende mais por ver do que por ouvir. Daí porque o exemplo dos pais, e dos adultos que com ela convivem, ou seja, aquilo que ela observa no convívio com os pais, no que fazem e como procedem no dia a dia, desde que seja um procedimento correto, de acordo com as Santas Escrituras, tal exemplo positivo será de excepcional valor para a sua formação moral e espiritual.

A criança aprende mais por ver do que por ouvir. Daí porque o exemplo dos pais, e dos adultos que com ela convivem

A criança, como todo ser humano, é imitativa e, geralmente, segue os passos das pessoas com as quais convive e exercem maior influência sobre sua vida. Esta, aliás, é a razão porque, mesmo na idade adulta, às vezes nos surpreendemos, dizendo coisas ou procedendo da mesma maneira que nossos pais quando éramos crianças, não é verdade? É que, resultando do convívio com eles, passamos a imitá-los, até inconscientemente. e tal imitação se reproduz de quando em quando, mesmo na idade madura. Eis porque devemos como pais e/ou educadores, fazer o maior empenho em deixar para os nossos filhos um exemplo digno, e isto por certo se constituirá no maior legado que se poderá deixar para eles.

Deus deseja que os pais e os educadores se constituam num exemplo de fé diante das crianças sob seus cuidados. Paulo menciona o belíssimo exemplo de Loide e Eunice, influenciando poderosamente a vida do jovem Timóteo: "Trazendo à memória a fé não fingida que há em ti, a qual habitou primeiro em tua avó Loide, e em tua mãe Eunice, e estou certo de que também habita em ti" (2Tm 1.5).

Em terceiro e último lugar, há que se pensar no ensino verbal, em se tratando da educação infantil. O exemplo, como já vimos, é o ensino objetivo e visual. A vida dos pais e educadores influenciando positivamente a dos filhos, especialmente enquanto crianças; mas, os pais precisam também verbalizar o ensino, com palavras simples, à altura da compreensão das crianças. É no lar que a criança precisa receber uma orientação geral para a vida em formação; e, em se tratando de lares crentes, a orientação evangélica não pode e não deve ser esquecida.

 Desse modo, evitamos que a criança aprenda na rua ou na escola, em contato com pessoas  sem os princípios cristãos. Os pais são os primeiros mestres de seus filhos, por isso que devem estar sempre prontos e preparados para responder suas perguntas e lhes dar a orientação correta para que suas crianças não fiquem, por ignorância, à mercê de maus elementos que existem em toda parte.

É necessário também que os pais acompanhem a vida escolar de seus filhos, verificando se fazem os deveres de casa, e se estão progredindo nos estudos. Além do que, devem manter contato com a direção da escola onde eles estudam, para que saibam que tipo de ensino estão recebendo e qual o comportamento dos filhos no meio escolar, conhecendo seus colegas...

Entretanto, o ensino mais importante que os pais devem transmitir aos filhos paira na esfera espiritual. É dever sagrado dos pais crentes cuidar da vida espiritual dos filhos desde a mais tenra idade. Ensinando-os a orar, a depender de Deus em todas as coisas, a respeitar e amar a Palavra de Deus, o que se consegue através da narrativa de histórias bíblicas, da memorização de textos da Bíblia. E também levá-los à igreja, para que se habituem a cultuar  ao Senhor e, consequentemente, a cultivar o hábito salutar de ir à casa de Oração e de se confraternizar com outros cristãos. Vem a calhar, nesta conexão, o preceito bíblico: "Estas palavras que hoje te ordeno, estão no teu coração. E a ensinarás a teus filhos. e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te e ao levantar-te" (Dt 6.6-7).

É dever sagrado dos pais crentes cuidar da vida espiritual dos filhos desde a mais tenra idade. Ensinando-os a orar, a depender de Deus em todas as coisas, a respeitar e amar a Palavra de Deus, o que se consegue através da narrativa de histórias bíblicas, da memorização de textos da Bíblia.

Vale dizer que Deus deseja que os pais sejam os evangelizadores de seus filhos, não esperando que eles sejam evangelizados pela igreja. Há muitos pais que delegam a responsabilidade da educação religiosa de seus filhos para a igreja ou para os professores da EBD o que é um erro e uma perda de oportunidade. Deus quer que você, pai ou mãe  que me lê, tenha o privilégio de conduzir o seu filho ou filha aos pés de Cristo, e que não delegue tal privilégio a ninguém.

Os pais crentes devem, pois, estar espiritualmente preparados para ganhar seus filhos para Cristo, enquanto crianças, tendo assim a alegria de vê-los crescerem com Jesus crescia, em estatura, em sabedoria e em graça diante de Deus e dos homens. (Lc 2.52).
Que Deus assim abençoe os pais que nos lerem. Amém!

Nilson Dimarzio
Membro Titular da Academia Evangélica de Letras do Brasil.  Escritor, Músico, Advogado.




IGREJA - ENSINO - VIDA CRISTÃ

Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos”. Mt. 28.19-20.

Certa vez ouvi uma frase que diz o seguinte, “O problema da igreja não esta na porta dos fundos, mas na porta de entrada”(Pr. Nilton Antonio de Souza, JMN). Quando pensamos em igreja imaginamos um belo templo, com muitos irmãos, grupo de músicos com vários tocadores de instrumentos, um coral com muitas vozes, pastores, diáconos, e vários departamentos como: EBD, MCA, UNIAD, Mensageiras do Rei, Embaixadores do Rei, União de Homens, e outras coisas mais. Dificilmente construímos em nossa mente uma igreja sem essa formatação e quando iniciamos um trabalho de evangelização em um determinado lugar trabalhamos para chegar a esse objetivo.

Primeiramente precisamos lembrar que “Igreja é uma congregação local de pessoas regeneradas e batizadas após profissão de fé. É nesse sentido que a palavra “igreja” é empregada no maior número de vezes nos livros do Novo Testamento. Tais congregações são constituídas por livre vontade dessas pessoas com a finalidade de prestarem culto a Deus, observarem as ordenanças de Jesus, meditarem nos ensinos da Bíblia para a edificação mútua e para a propagação do evangelho”. (Declaração Doutrinária da CBB).

Também definimos como: “Uma igreja é um grupo de pessoas que se arrependeram de seus pecados e colocaram a sua confiança em Jesus Cristo como Salvador e Senhor, e imediatamente foram batizados por imersão. Essas pessoas começam a se reunir com singularidade como família de Deus. Têm um companheirismo na oração, no louvor e no estudo da Bíblia com o propósito definido de glorificar o nome de Cristo e estender o Reino de Deus na terra. Isso é a igreja”. (Charles Brock, E Agora? pg.33).

Aos 12 anos de idade me converti na Congregação Batista no Córrego da Jacutinga, município de Água Doce do Norte no interior do Espírito Santo. Nessa congregação não havia tocadores, nem grupo de louvor, lembro-me de uma liturgia simples, quando era para louvar, todos  louvavam, o grupo de louvor era toda a congregação. Alguns irmãos liam um texto da bíblia, outros cantavam dueto, solo, tudo a capela.

Passaram-se vinte anos e eu retornei aquela congregação, a liturgia continuava a mesma, ainda não tinha um tocador e nem um grupo de louvor, o que me surpreendeu foi o crescimento da congregação, encontrei alguns do meu tempo, mas fiquei feliz por ver que muitas pessoas novas aceitaram Jesus Cristo como Salvador e Senhor. Uma das qualidades daquela pequena igreja do interior é o ensino. Naquela igreja fui doutrinado, lá fui ensinado que a Bíblia é a palavra de Deus, fui batizado, me ensinaram que devemos evangelizar a todo tempo, me ensinaram que missões é o dever de todos que aceitam a Jesus Cristo como Salvador e Senhor.

Os irmãos entram ano e passam ano sem nenhum aprofundamento na palavra de Deus

Precisamos conscientizar nossos irmãos sobre o verdadeiro sentido da igreja. Certo dia conversando com um adolescente da igreja, componente do grupo de louvor, batizado, freqüente nos cultos por causa da sua função, porém não sabia absolutamente nada sobre a Bíblia, somente que seu nome é o mesmo de um dos autores do evangelho. Os irmãos entram ano e passam ano sem nenhum aprofundamento na palavra de Deus. Hoje nossas igrejas não aceitam mais uma forma de trabalho que há vinte anos fazia a igreja crescer, que há cem anos fazia a igreja crescer, que há dois mil anos fez a igreja crescer.

Hoje nossas igrejas não aceitam mais uma forma de trabalho que há vinte anos fazia a igreja crescer, que há cem anos fazia a igreja crescer, que há dois mil anos fez a igreja crescer

A igreja primitiva tinha um principio para o crescimento, “Eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às orações” (At. 2.42). Sem ensino o conceito de igreja, e a formação de igreja, fogem dos princípios bíblicos. Quando Jesus Cristo enviou seus discípulos a fazer outros discípulos, ele disse que eles deveriam ensinar os novos convertidos.  Muitas lideranças estão negligenciando a pregação e o ensino. Infelizmente, por esse motivo nossas igrejas estão cheias de “fieis” sem convicção doutrinaria e sem certeza de salvação.

Sem ensino o conceito de igreja, e a formação de igreja, fogem dos princípios bíblicos.

Há muitas igrejas surgindo em nosso País, porém não está sendo por causa do ensino dos apóstolos e nem por motivo de comunhão entre os irmãos, também não está sendo o acréscimo que o Senhor está fazendo. O motivo do surgimento dessas igrejas tem sido as brigas dos irmãos, desejo de exercer a primazia entre os outros, brigas por desvios doutrinários, coisas que são passiveis de exclusão por ser comportamento de pessoas que não conhecem a palavra de Deus. Esses são os elementos que tem feito com que organizem outras igrejas, sem conhecimento do que é de fato uma igreja, iniciada sem ensino, sem capacidade de ensinar a outros e também, sem princípios de uma vida cristã como o povo da igreja no inicio tinha ao ponto da igreja cair na graça do povo.

O pastor Harold Segura Carmona, em seu livro, “Para que serve a Espiritualidade?” disse: “Devemos seguir a Cristo baseados no modelo do mestre, e não nas expectativas da igreja institucionalizada, nas ânsias de nossa religiosidade legalista ou nos desejos de auto realização humana” (pg.20). A vida cristã só é possível através da comunhão com Cristo e com os irmãos. Quando Jesus Cristo trabalhou com seu pequeno grupo de discípulos formando neles o caráter cristão disse: “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” (João 13.35).  Depois de mostrado na pratica como viver, Jesus Cristo ordenou como fazer. Enquanto viverem faça discípulos, ensine através da prática, ame. Para ter uma vida cristã é necessário obedecer a Cristo. É impossível ter uma vida cristã sem leitura da palavra, sem oração, sem comunhão.

Certo dia conversando com um jovem de dezesseis anos viciado no álcool e outras drogas, disse para ele que ele precisava mudar aquela situação de dependência e escravidão na vida dele. Falei do evangelho para toda a família, ele me disse que tem desejo de sair e de mudar de vida, se o pai dele também mudar, ele disse, “estou seguindo o exemplo do meu pai”. Seu pai é dependente químico há dezessete anos, quase todo dia retorna bêbado e drogado para casa.  Ser Cristão é ser igual a Cristo, ser cristão é imitar o pai em tudo. Têm muitos “cristãos” que não fazem discípulos, não oram, não lêem a bíblia, não perdoa, não ama, não evangelizam, não querem ter comunhão com outros irmãos. Para termos uma vida cristã precisamos imitar a vida de Jesus Cristo.

Anderson Resende Barbosa
Bacharel em Teologia FATEBE/STBE - Altamira, PA.

JESUS, CARPINTEIRO, MARCENEIRO OU CONSTRUTOR?

Há muito tempo ouço dentro e fora do Seminário a pergunta: Por que estudar teologia?  Cada vez que ouço essa pergunta, mais me convenço de que “nunca na história da Igreja cristã” foi tão necessário o estudo da teologia.  Não para aprender a responder perguntas sobre “qual o sexo dos anjos?” ou “quem foi a esposa de Caim?”, mas para entender as questões básicas da fé cristã que,  neste século vinte e um, tem sido cada vez mais adulterada justamente por aqueles que deveriam ser os maiores divulgadores e defensores da fé cristã e da Palavra de Deus, os LÍDERES ECLESIÁSTICOS.  Obviamente que toda generalização é estupidez, mas o quadro que vemos da Igreja cristã evangélica de nosso século é assustador.  Líderes despreparados, pastores, presbíteros, bispos, missionários, apóstolos, etc distorcendo completamente a Palavra de Deus a fim de obterem “resultados” rápidos e extraordinários (aumento do número de seguidores e de arrecadação).

Não é sem propósito que em Oséias 4:6 o Senhor diz: “o meu povo erra por falta de conhecimento”.  E também não é por acaso que em Mateus 22:29 vemos Jesus afirmando: Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus...”.   No século da internet de alta velocidade, da comunicação instantânea, o crente não encontra tempo e nem tem paciência para ler a Bíblia, e boa parte dos líderes eclesiásticos também não, e o resultado tem sido a expansão das pregações e ensinamentos cada vez mais distantes das verdades reveladas na Palavra de Deus.

Na esteira dessa falta de interesse, tempo ou paciência para o estudo sério e sistemático da Palavra de Deus, cresce cada vez mais o nível de desconhecimento bíblico entre os crentes.  O conhecimento bíblico do povo tem sido obtido não através da leitura e estudo da Bíblia, mas por transferência oral de informações baseadas em imagens criadas que acabam se tornando “verdades”, muito embora essas “verdades” estejam bem longe da realidade.  Por exemplo, costumo fazer uma brincadeira com meus alunos no curso de teologia quando ministro a disciplina Panorama Bíblico (Antigo Testamento).  Pergunto, antes de ler qualquer texto bíblico, quantos anos levou para o povo de Israel chegar em Canaã após sua saída do Egito.   Quase que unanimentemente ouço a resposta: “- Quarenta anos!”.  

O conhecimento bíblico do povo tem sido obtido não através da leitura e estudo da Bíblia, mas por transferência oral de informações baseadas em imagens criadas que acabam se tornando “verdades”, muito embora essas “verdades” estejam bem longe da realidade

Quando eu digo que a resposta está errada, que esta informação foi criada no imaginário cristão,  o espanto é quase que geral.  Então eu peço que leiam Êxodo 19:1-2 que diz: “Os israelitas partiram de Refidim. E, no dia primeiro do terceiro mês depois de terem saído do Egito, chegaram ao deserto do Sinai. Eles armaram o acampamento ao pé do monte Sinai”(NTLH).  Ou seja, dois meses após terem saido do Egito armaram acampamento no pé do monte Sinai.  Então peço que leiam Números 10:11-13: “No segundo ano depois que o povo saiu do Egito, no dia vinte do segundo mês, a nuvem se levantou de cima da Tenda Sagrada. Nesse dia os israelitas começaram a caminhar, partindo assim do deserto do Sinai; e a nuvem parou no deserto de Parã. Assim, pela primeira vez, eles começaram a caminhar, conforme a ordem que o Senhor tinha dado a Moisés” (NTLH).    Ou seja, após um ano e vinte dias acampados no pé do monte sinai, ou quatorze meses e vinte dias após a saída do Egito, os israelitas levantam acampamento e se dirigem rumo a Canaã,  acampando no deserto de Parã, em Cades Barnea, na entrada de Canaã, a Terra prometida (Números 13:3 e 25).

Embora a pergunta aos alunos seja uma “pegadinha”, pois não pergunto quanto tempo eles levaram para entrar em Canaã, mas para chegar lá, o fato é que boa parte deles imagina que Israel ficou perdido no deserto, sem rumo, durante quarenta anos, e somente quarenta anos após a saída do Egito é que os israelitas encontraram a terra prometida, e aí partiram para sua conquista.  Pior ainda foi o que ouvi certa ocasião de uma aluna; disse ela que ouviu em uma pregação o pastor dizer que era tão longa a distância entre o Egito e Canaã que Israel levou quarenta anos para chegar lá. 

            Da mesma forma, causa surpresa em muitos alunos quando explico que Israel levou quarenta anos para entrar em Canaã por causa do pecado de incredulidade de dez líderes que influenciaram negativamente todo o povo, conforme registro de Números 13: “Mande alguns homens para espionar a terra de Canaã, a terra que eu vou dar aos israelitas. Em cada tribo escolha um homem que seja líder. Do deserto de Parã Moisés enviou os espiões, de acordo com as ordens de Deus, o Senhor. Todos eram chefes de tribos do povo de Israel”(vv.2,3). [...] “Depois de espionarem a terra quarenta dias, eles voltaram a Cades, no deserto de Parã, onde estavam Moisés, Arão e todo o povo de Israel. E contaram a eles e a todo o povo o que tinham visto e mostraram as frutas que haviam trazido da terra” (vv 25 a 27).   Mas apesar de terem conferido todas as maravilhas da terra prometida, esses líderes se acovardaram diante das dificuldades encontradas e levaram o povo a, por medo, se recusar a entrar em Canaã: “Eles disseram a Moisés: – Nós fomos até a terra aonde você nos enviou. De fato, ela é boa e rica, como se pode ver por estas frutas. Mas os que moram lá são fortes, e as cidades são muito grandes e têm muralhas. Além disso, vimos ali os descendentes dos gigantes.  Os amalequitas moram na região sul da terra. Os heteus, os jebuseus e os amorreus moram nas montanhas. Os cananeus vivem perto do mar Mediterrâneo e na beira do rio Jordão.  Aí o povo começou a reclamar contra Moisés, mas Calebe os fez calar e disse:  – Vamos atacar agora e conquistar a terra deles; nós somos fortes e vamos conseguir isso!  Porém os outros que tinham ido com ele disseram: – Não. Não podemos atacar aquela gente, pois é mais forte do que nós.  Assim, espalharam notícias falsas entre os israelitas a respeito da terra que haviam espionado. Eles disseram: – Aquela terra não produz o suficiente nem para alimentar os seus moradores. E os homens que vimos lá são muito altos. Também vimos ali gigantes, os descendentes de Anaque. Perto deles nós nos sentíamos tão pequenos como gafanhotos; e, para eles, também parecíamos gafanhotos” (Números 13:27-33 NTLH).

            Tal atitude por parte dos líderes e do povo de Israel motivou a seguinte decisão divina: “Vocês serão mortos, e os corpos de vocês serão espalhados pelo deserto. Vocês reclamaram contra mim, e por isso nenhum de vocês que tem vinte anos de idade ou mais entrará naquela terra.  Eu jurei que os faria morar lá, mas nenhum de vocês entrará naquela terra, a não ser Calebe, filho de Jefoné, e Josué, filho de Num.  Vocês disseram que os seus filhos seriam presos, mas eu vou levar esses filhos para a terra que vocês rejeitaram, e ali será o lar deles.  Porém vocês morrerão, e os corpos de vocês ficarão neste deserto,  onde os seus filhos vão caminhar quarenta anos. Vocês foram infiéis, e por isso eles vão sofrer, até que todos vocês morram aqui.  Quarenta anos vocês vão sofrer por causa dos seus pecados, conforme os quarenta dias que vocês espionaram a terra, um ano para cada dia...” (Números 14:29-34 NTLH).

De fato, Deus impediu que aquela geração de vinte anos para cima entrasse em Canaã, exceto Josué e Calebe, os dois únicos espias que tiveram a fé suficiente para herdar a terra prometida.  Assim, toda aquela geração acima de vinte anos passaria os próximos trinta e oito anos no deserto até que não restasse mais nenhum deles (Deuteronômio 2:13-16).   

Por incrível que pareça, há quatorze anos dando aulas no Seminário tenho feito sistematicamente a mesma “pegadinha”, e tenho verificado que aumenta cada vez  mais o número de alunos que se surpreendem com “essas novas descobertas”.

A ignorância sobre determinadas questões apresentadas na Palavra de Deus certamente impede o indivíduo de enxergar a grandiosidade do plano de Deus para o ser humano e o cuidado de Deus com os mínimos detalhes

É verdade que esse desconhecimento pode não ter nenhuma influência no relacionamento do indivíduo com Deus, mas a ignorância sobre determinadas questões apresentadas na Palavra de Deus certamente impede o indivíduo de enxergar a grandiosidade do plano de Deus para o ser humano e o cuidado de Deus com os mínimos detalhes.  Talvez o exemplo mais emblemático disso seja a imagem que  muitos fazem de Jesus sentado em uma carpintaria (ou marcenaria?) consertando algumas mesas e cadeiras. 

Assisti a um vídeo na internet outro dia de um pregador defendendo a tese de que Jesus tinha uma casa de praia em Cafarnaum. Segundo esse pregador, o dinheiro para comprar a tal casa ele havia conseguido após herdar a carpintaria do pai aos doze  anos e começar a entregar mesas e cadeiras em prazos recordes, acabando com toda a concorrência.  De acordo com ele, desde os doze anos Jesus foi juntando, juntando, juntando dinheiro com o lucrativo negócio do milagre da entrega rápida de mesas e cadeiras até conseguir dinheiro suficiente para comprar sua tão sonhada casa de praia em Cafarnaum.   A moral desta mensagem era a de que você também tem o direito de ter uma casa de praia, e Deus tem a obrigação de te dar.

A imagem de Jesus trabalhando em uma carpintaria (ou marcennaria) foi construida, na verdade,  com base nos dois únicos versículos da Bíblia que falam sobre isso :

Mateus 13:55 è Não é este o filho do carpinteiro? Não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos, Tiago, José, Simão e Judas?
Marcos 6:3 è Não é este o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, José, Judas e Simão? E não vivem aqui entre nós suas irmãs? E escandalizavam-se nele.
           
Essa imagem de Jesus tem levado as pessoas, alimentadas pelo cinema americano,  a visualizar o Senhor Jesus numa marcenaria, não numa carpintaria,  consertando ou construindo mesas, bancos e cadeiras.  Não há imagem mais pobre para descrever o projeto de Deus de enviar Jesus, fazendo-o nascer no lar formado por Maria e José, o carpinteiro, do que essa.  Não que o Senhor Jesus não pudesse ter consertado algumas cadeiras ou mesas, mas a escolha de José como pai adotivo tendo ele a profissão que tinha, também fez parte do plano de Deus, pois não foi apenas Maria a escolhida para ser a mãe do Salvador, José também foi escolhido por Deus para ser o pai adotivo do Senhor. 

A palavra grega traduzida para o português como “carpinteiro” é  “tékton”, que significa também “construtor”.   Na língua portuguesa há a palavra “arquiteto”, que é aquele que desenha o projeto, o que planeja como ficará a obra depois de pronta.  O arquiteto dimensiona, esquematiza e planeja a obra antes de sua construção.   A palavra arquiteto é, justamente, a junção das palavras gregas “arké” + “tékton”.  A primeira palavra, “arké”, significa “maior”, “principal”, etc. Por exemplo, na língua portuguesa “arké” se tornou um prefixo  que deu origem a palavras do tipo “arqui-inimigo”, ou seja, maior inimigo, ou ainda “arcebispo”, bispo com autoridade maior sobre os outros bispos, etc.   Literalmente arquiteto é o “principal construtor” ou “construtor maior”.          

Portanto, “tékton” não é um fabricante ou consertador de mesas e cadeiras, não é um marceneiro, é antes um construtor, o equivalente a uma espécie de  “mestre de obras”.   No plano de Deus, foi exatamente isto que Jesus foi, o “tékton”, o construtor que veio “colocar a mão na massa”,  fazer o trabalho pesado, como um mestre de obras, e o Pai é o Sábio “Arké-Tékton” (Arquiteto),  o Construtor Maior, o que planejou a obra que o Filho viria executar.  Não é sem propósito que o apóstolo Paulo diz que nós somos o “edifício de Deus” (I Coríntios 3:9).  Assim, no extraordinário e perfeito plano de salvação projetado por Deus, até a profissão de Jesus teve significado, não foi algo aleatório e sem importância.  Jesus é o Construtor que veio construir algo tremendo, extraordinário, como bem descreveu o apóstolo Paulo:  “Sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos da parte de Deus um edifício, casa não feita por mãos, eterna, nos céus.”  (2 Coríntios 5.1). 

            É interessante observar que o conceito de Deus  como o “Grande Arquiteto do  Universo” tem sido empregado muitas vezes tanto dentro quanto fora da teologia cristã.  Eminentes teólogos cristãos do passado como Tomás  de Aquino e João Calvino utilizaram esta imagem para descrever o Deus da criação.  Em sua obra publicada em 1536, “As Institutas da Religião Cristã”, João Calvino chama repetidamente Deus de "O Arquiteto do Universo".   Fora da teologia cristã também é muito  comum encontrarmos tal adjetivo para descrever Deus.  Por exemplo, na (seita) maçonaria todos os seus membros (ou sócios) têm que crer na existência do “Grande Arquiteto do Universo” como sendo uma força superior, criadora de tudo o que existe.  No judaísmo, no islamismo e até no gnosticismo Deus tem sido apresentado desta mesma forma: “O Grande Arquiteto do Universo”.

            No Novo Testamento, o autor de Hebreus, falando sobre a fé de Abraão, diz que  ele    “aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e edificador” (Hebreus 11:10).    De fato, Deus é apresentado nas escrituras sagradas como “Arquiteto e Edificador”.  Contudo, a grande diferença entre os ensinamentos bíblicos e os conceitos de Deus apresentados por outros grupos reside no fato de que a Bíblia ao designar Deus como Arquiteto, não se restringe apenas à criação.  Na realidade, em Hebreus, por exemplo, o autor usa de uma linguagem figurada para falar da “Nova Jerusalém”, da “Jerusalém Celestial”.  Deus é o arquiteto e edificador não somente da Nova Jerusalém, mas também de um projeto, de um plano para conduzir Abraão e “todas as famílias da terra” (Gênesis 12:3) à essa cidade celestial.

A Bíblia apresenta Deus não apenas como o “Grande Arquiteto do Universo”, mas muito mais do que isso, como o  Grande Arquiteto da nossa salvação

Ou seja, a Bíblia apresenta Deus não apenas como o “Grande Arquiteto do Universo”, mas muito mais do que isso, como o  Grande Arquiteto da nossa salvação.  E este, talvez, seja um dos ensinos mais extraordinários da Palavra de Deus, e menos compreendidos pelos cristãos.  O apóstolo Paulo falando sobre esse assunto em sua carta ao Efésios capítulo 1, fala de um plano arquitetado por Deus, elaborado antes mesmo da fundação do mundo.  De acordo com Paulo,   Deus, em sua imensa sabedoria, fez um plano extraordinário que transcende em muito nossa compreensão.  Ele, como um sábio arquiteto,  planejou o que iria fazer antes de iniciar qualquer obra da criação, e esse seu projeto teve como ápice e objetivo final a criação de indivíduos inteligentes, livres, santos como ele, e com quem pudesse se relacionar e ter comunhão,  e mesmo sabendo que esses indivíduos o desobedeceriam trazendo como consequência a quebra dessa comunhão, Ele ainda arquitetou um plano para a salvação desses indivíduos desobedientes,  fazendo do Filho Unigênito Jesus o executor desse plano.  Portanto, Jesus não foi um fabricante de mesas e cadeiras, mas foi e é, no plano do Pai, o Construtor  (Tékton)  de nossa salvação.

Roberto Ramos da Silva
Graduado em Teologia  pelo STBSB e em  Física pela UFSC. Mestre em Física de Plasmas pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA). Doutor em Física Atômica e Molecular pela UFSC. Diretor e Professor de Teologia do Instituto Batista de Educação, em Florianópolis, SC.
Fundador e Presidente do Núcleo de Recuperação e Reabilitação de Vidas (NURREVI), Comunidade Terapêutica para tratamento de dependentes químicos do sexo feminino.
Autor do livro “A Religião de Darwin”.