segunda-feira, 1 de setembro de 2014

RESENHA DO LIVRO: ESPOSA DE PASTOR EXPERIÊNCIAS QUE INSPIRAM E EDIFICAM

SINOPSE


Informações




   

Ímpar pela coragem da autora em dividir com diversas colegas de ministério a responsabilidade e o privilégio da elaboração da obra. Ímpar também pela natureza dos textos, expressos como testemunhos vivos de servas do Deus Todo Poderoso, que vivenciam cotidianamente a realidade do ministério pastoral dos esposos. É evidente que não é o primeiro livro que reúne textos de diversas escritoras; porém o diferencial está no fato de que os textos não versam sobre doutrinas, teorias e conceitos. São a escrita fluida dos sentimentos, emoções e esperanças destas mulheres de Deus, que abriram seus corações, contando experiências vívidas que inspiram e edificam. 

Resumo

A Professora Iraci Leite compilou textos de 24 escritoras, dividindo-os por áreas de interesse: Família, Igreja, Ministério e Providência Divina. Na primeira área as esposas de pastores escreveram sobre experiências ligadas ao cotidiano da família ou sobre fatos marcantes através dos qual Deus mostrou que intervém poderosamente na vida das suas filhas. São histórias tocantes, que falam de superação em meio aos problemas diários, enfermidades e dificuldades financeiras. Na segunda parte, os testemunhos são de experiências que esposas de pastores tiveram nas igrejas onde seus maridos exerceram o ministério, desde a desconfiança e a antipatia no início do pastorado, passando por tensões administrativas e até problemas doutrinários. Nos relatos vemos estas servas do Senhor superando as dificuldades através do perdão e da entrega ao Espírito Santo com sua unção curativa. Contudo, nem tudo são espinhos! Há relatos também, da contagiante alegria destas irmãs em Cristo pelo fato de servirem às Igrejas, como esposas de pastores. Os testemunhos e conselhos referentes a experiências no Ministério mostram como esposas de pastores viram o agir de Deus em diferentes situações, seja em um campo de missões mundiais, seja no desafio da consagração do esposo ou em ministérios de longos anos, amadurecidos em igrejas locais ou em órgãos denominacionais. Podemos vislumbrar, mas não sentir totalmente, o quanto estas mulheres valorosas passam. Se por um lado existem os momentos de visibilidade; por outro, elas enfrentam os momentos de solidão e de choro durante a noite. Mas, sempre na certeza de que “a alegria vem pela manhã”. E em todos estes relatos nós as vemos como mulheres virtuosas, nas quais os maridos podem nelas confiar. No quarto capítulo, dedicado a experiências relacionadas à Providência Divina, lemos testemunhos tocantes da fé destas mulheres, que viram verdadeiros milagres de Deus. Milagres de cura, de provimento, de libertação e de conversão. Nas Palavras Finais, dirigidas às suas “queridas amigas de ministério”, Iraci de Araujo Leite as encoraja a “cultivar a fé, a confiança e a segurança neste Deus poderoso e fiel que tem um compromisso eterno com aqueles a quem Ele vocaciona”. 

Conclusão

Embora não sendo um livro doutrinário, Esposa de Pastor – Experiências que inspiram e edificam, mostra as doutrinas bíblicas praticadas nas diversas atitudes tomadas pelas esposas de pastores. Embora não sendo um livro teológico, mostra que o Deus apresentado na Teologia, é o mesmo de ontem, hoje e eternamente, presente nas vidas de suas servas, nos pequenos e grandes detalhes. Todos os testemunhos formam um mosaico de textos doutrinariamente bem fundamentados e graciosamente inspirados. É como se a autora tivesse reunido as esposas de pastores em um lindo coral, entoando o coro do hino 344 do Cantor Cristão: “Deus cuidará de ti, Em cada dia proverá; Sim, cuidará de ti, Deus cuidará de ti.” Recomendo a leitura deste livro magistral, não apenas por que o li, gostei, inspirou-me e edificou-me. Mas, sobretudo, por que meus olhos ficaram marejados de emoção ao ler o capítulo escrito pela minha esposa, mulher com nome maravilhoso: Alcione Lima. 

Marinaldo Alves de Lima 
Formado em Administração pela UFPE, em Teologia pelo STBNB e História pela UFRPE. Pós-Graduação em Ensino de História das Artes e Religiões. É professor de História, Geografia, Artes e Ética e Cidadania da Escola Estadual Nª. Sª do Carmo em Beberibe, PE





terça-feira, 29 de julho de 2014

ADULTOS TAMBÉM GOSTAM DE APRENDER!



“Despertar a alegria da expressão e do conhecimento criativos  é a arte suprema do professor.” 
(Albert Einstein)

E como gosta!

A questão toda reside em termos pessoas que gostem de ensinar adultos, preparadas para fazê-lo.

Contrariamente ao que muitos pensam e até ao que muitos dizem, adulto aprende de forma diferente de criança. O adulto gosta de aprender e se envolverá de verdade no aprendizado, se os pressupostos assumidos pelo facilitador do processo forem andragógicos. Em outras palavras eu diria que ainda não descobri 100% o segredo do sucesso no ensino de adultos, mas com segurança já descobri o segredo do fracasso no ensino de adultos: Tentar ensiná-los como se fossem crianças. Ou, tecnicamente falando querer aplicar a Pedagogia no ensino de adultos.  “Adulto é alguém que se percebe e se comporta como adulto.”, definiu Malcoln Knowles (The modern practice of adult education, 1980). Isso tem implicações muito importantes no ensino, pois aponta para uma dos princípios basilares da Andragogia, qual seja o da autonomia do adulto no processo de ensino e aprendizagem.

Especialmente no contexto eclesiástico, notadamente na dimensão do ensino, mas também na da pregação, o foco observado na prática contemporânea está bem distante do que preceituam os estudos mais modernos e relevantes sobre a forma de ensinar adultos.

Por esta razão, em boa hora, Zezina Soares Belan, exímia educadora, com formação acadêmica sólida e experiência inconteste na área de ensino de adultos, fez vir a lume seu texto “Andragogia em ação – Como ensinar adultos sem se tornar maçante” (Z3 Editora, SP. 134 páginas), um livro escrito com o pensamento da autora voltado para quem tem a tarefa de ensinar adultos.

 

 Nos dez capítulos de seu brilhante texto, Zezina Belan demosntra que, não apenas é fato  que adultos gostam de aprender, como também é verdade que é possível aprender ensiná-los de forma que gostem e se envolvam.

Nos três primeiros capítulos, a autora, além de arriscar uma definição de Andragogia como “a ciência que apresenta uma metodologia voltada para a aprendizagem do aluno adulto” e frisar que o adulto quer entender porque tem que aprender algo; prefere aprender o que o ajudará a resolver seus problemas e precisa aprender experimentalmente; foca em quem é o adulto: Autônomo, participativo e com capacidade média de concentração contínua em torno de 7 minutos; em como o adulto  aprende de forma diferenciada.

Nos sete capítulos restantes, Zezina acende o holofote de seu texto na pessoa do professor de adultos, que precisa ser um facilitador, um agente de mudanças, um despertador do desejo de aprender; devendo explorar as características da aprendizagem dos alunos adultos através de técnicas e métodos apropriados. Procura mostrar que o facilitador precisa observar a diferença entre objetivos e conteúdo, selecionar métodos de ensino e dinamizar as aulas para estimular os adultos a prosseguirem.

O texto vai mais a fundo e aborda métodos, técnicas e recursos para o ensino de adultos, ensinado que através dos recursos audiovisuais a aprendizagem se processa com maior eficácia e que o uso simultâneo de metodologias e a ativação de mais sentidos aumentam a retenção do que deve ser aprendido. No entanto, como tudo na vida, o bom planejamento é de suma importância. Neste sentido, a autora sugere que o facilitador tenha boa visão do processo de ensino: Enxergue que antes de ensinar precisará se organizar, imaginar-se na situação de ensino, praticar e relaxar; durante o ensino não poderá se esquecer de manter contato visual com os alunos, movimentar-se e usar os recursos extraordinários da sua voz; depois ensinar precisará responder as demandas dos alunos e ir avaliando como está se dando a retenção do aprendizado.

O texto termina com uma chamamento à criatividade, deixando claro que ela resulta de esforço, vontade, força de vontade e vontade de esforçar-se. Conclui: “Sua criatividade é uma excelente ferramenta no preparo de suas aulas. (...) Solte sua imaginação (...) e lembre-se de colocar em tudo seu bom humor.(...) Não fique aí parado! Coloque sua criatividade em ação e seja um vencedor.” (páginas 132, 133).

É um texto provocativo, elucidativo e de leitura indispensável para quem deseja ensinar adultos sem perdê-los nos primeiros minutos de aula, sem irritá-los e sem fazê-los ter aquela sensação de que poderiam estar usando de maneira mais relevante e útil, o seu tempo. É um texto que tem potencial de ajudar você a ensinar adultos de forma a fazê-los contar os dias até a sua próxima aula. Leia e, como adulto, constate por você mesmo.

Pr. Lécio Dornas
Sociedade Bíblica Americana, USA

REFLETINDO SOBRE O FENÔMENO DA APRENDIZAGEM


“... o fim da educação... é facilitar a aprendizagem (...) facilitar a aprendizagem reside em certas qualidades de atitudes que existem na relação pessoal entre o facilitador e o aprendiz.” (Carl R. Rogers)
INTRODUÇÃO

Observando o pequeno S. L. L. F. de 6 anos de idade brincando com seus quebra-cabeças chamou-me atenção às inúmeras tentativas de acertar. Em dado momento ele se deu conta de que já havia uma figura montada na caixa do brinquedo e, a partir daí conseguiu realizar a tão desejada montagem. A descoberta o deixou eufórico. Batendo as mãos veio em minha direção gritando: - “Você viu, tia, eu consegui, eu aprendi.” A alegria da comemoração atraiu outros familiares e o contentamento foi geral.

Algo, assim acontece com o bebê diante de uma novidade: bater palmas, dançar, cantar, reconhecer o barulho de um carro etc., ou o adulto que experimenta pela primeira vez ler, escrever, usar o computador enfim, qualquer situação que sinaliza um avanço de aprendizagem significativa – sem dúvida fruto do esforço próprio.

Segundo pesquisas dos neurocientistas “a mente e cérebro saudáveis são por natureza ávidos por informações”. A predisposição para aprender depende entre outras situações da maturação de cada um.
A predisposição para aprender depende entre outras situações da maturação de cada um.
Mesmo com as diferenças individuais, aprender é tão importante para a dinâmica psíquica que temos um “detector de novidades” que seleciona e “avisa” o cérebro da chegada de informações até então desconhecidas.

Muitas vezes a curiosidade (essa importante aliada) que permeia o processo de aprender se perde ou fica em segundo plano por falta de estímulo. O ser humano foi feito para explorar, experimentar e dominar novas tecnologias, sem opressão e sem obrigação, pois estas nublam o prazer de aprender, um novo saber assemelha-se a degustar um novo sabor, isto representa um dos maiores desafios, pois propicia crescimento, maturidade e sobretudo é satisfatório.

O ser humano foi feito para explorar, experimentar e dominar novas tecnologias, sem opressão e sem obrigação, pois estas nublam o prazer de aprender

1. Aprender

A ciência pedagógica tem sido inquieta quanto ao fenômeno da aprendizagem. Algumas teorias divergem no que se refere à natureza dos processos e mecanismos particulares em jogo. É notório que a aprendizagem constitui-se em um processo, uma função que vai além da aprendizagem escolar e que não se circunscreve exclusivamente a criança.

O ser humano aprende no uso de todo o seu organismo para melhor integrar-se no meio físico, atendendo as necessidades biológicas, psicológicas e sociológicas que se apresentam no transcorrer da vida. Essas necessidades são consideradas obstáculos. Se não houvesse obstáculos não haveria aprendizagem.  A predisposição para aprender advém dos obstáculos. O ser humano liberta-se cada vez mais, quando se defronta com os obstáculos e supera-os.

Daí, podemos entender que o papel do professor não é de meramente oferecer novos conteúdos, e sim, sensibilizar o aluno a querer superar os obstáculos da vida acadêmica.

O papel do professor não é de meramente oferecer novos conteúdos, e sim, sensibilizar o aluno a querer superar os obstáculos da vida acadêmica.

“Nada que diga a respeito ao ser humano, à possibilidade de seu aperfeiçoamento físico e moral, os obstáculos a seu crescimento (...) nada que diga respeito aos homens e mulheres podem passar despercebidos pelo educador progressista. Não importa com que faixa etária trabalha (...) são gente em permanente processo de busca.” (FREIRE – 1996. p.144)

2. A Evolução do Conceito de Aprendizagem

Até o início do séc. XVI aprender significava memorizar. Os alunos memorizavam textos exigidos pelos professores sem qualquer questionamento. Isto os tornavam passivos, dependentes e inaptos, pois a memorização de textos não os preparavam para a reflexão, nem para a produção e muito menos para o diálogo crítico. Ao contrário os alunos eram automáticos e repetidores.

A partir do séc XVII Comenius, o Pai da Didática Moderna, apresentou um novo conceito de aprendizagem que consistia de três estágios:
1. Compreensão (entendimento teórico).
2. Memorização (registro cognitivo – a memória retém o que foi ensinado).
3. Aplicação (é a aprendizagem em prática).

Dessa forma o ensino passou a ser tanto expositivo como explicativo. Hoje, verifica-se que a explanação verbal serve apenas para introduzir a aprendizagem e não para incorporá-la de fato ao entendimento do indivíduo:

“A aprendizagem é um processo lento, gradual e complexo de interiorização e assimilação no qual a atividade do aluno é fator decisivo. A atividade não é de modo algum um processo passivo de mera reciprocidade. É, pelo contrário, um processo eminentemente operativo em que a atenção, o empenho e o esforço do aluno representa papel central e decisivo.” (MATTOS, 1963)

3. Conceituando Aprendizagem

O conceito clássico de aprendizagem diz ser uma mudança de comportamento.  O termo comportamento não se aplica só as ditas aprendizagens escolares. A aprendizagem é construída pelas ocorrências do dia-a-dia desde o nascimento. É por meio da aprendizagem que o indivíduo desenvolve comportamentos que possibilitem interagir no meio social. Todas as atividades e realizações humanas demonstram o resultado da aprendizagem.

A aprendizagem é um processo tão importante e rico para a sobrevivência humana que cada vez mais as escolas e as tecnologias estão em ritmo de aperfeiçoamento para que as ações pedagógicas tenham os seus projetos mais eficientes.

A aprendizagem é um processo tão importante e rico para a sobrevivência humana que cada vez mais as escolas e as tecnologias estão em ritmo de aperfeiçoamento para que as ações pedagógicas tenham os seus projetos mais eficientes.

As habilidades, os interesses, as atitudes e as informações adquiridas, dentro e fora das escolas contribuem para o ajustamento do indivíduo ao ambiente físico e social, como também, propicia ao indivíduo a ter uma vida mais autônoma, vivendo melhor (ou pior), mas, indubitavelmente, a viver de acordo com o que aprende.

“Para que a aprendizagem provoque efetiva mudança de comportamento e amplie o potencial do educando é necessário que ele perceba a relação entre o que está aprendendo e a sua realidade (circunstâncias que o rodeia).” (DROQUET, 1995, p11)

4. O Prazer de Aprender

“Nosso cérebro quando confrontado com o desconhecido empenha-se para que lembremos não apenas da novidade, mas também, das circunstâncias que envolvem o fato – o que contribui para aprendermos de modo mais prazeroso.” (FENKER & SCHUTZE)

O Instituto de Neurologia Cognitiva da Universidade Otto von Guericke em Magdeburgo, Alemanha apresentou um estudo que pudesse responder como as células neurais se comunicam entre si. As pesquisas mostraram que essa função é desempenhada no cérebro por neurotransmissores as chamadas “substâncias mensageiras” – a dopamina (células neurais nas quais se encontram o neurotransmissor). O hipocampo (parte do lobo temporal do córtex, onde informações dos diversos sistemas sensoriais se juntam e desempenham importante papel para formação da memória). Se deixar de funcionar nos dois hemisférios causa no indivíduo a incapacidade cognitiva de gravar novas informações. Por isso o hipocampo é considerado o “detector de novidades” do cérebro.

Os especialistas em neurociência explicam que se vivermos uma situação nova – e inesperada, esse acontecimento fica registrado de forma mais intensa na memória. Como se explica isso? Pelo fato de que as diversas regiões cerebrais participam dos processos de percepção e memorização. Uma das mais importantes áreas de percepção é o hipocampo – que se localiza na área inferior interna do lobo temporal.

Pode-se concluir que a novidade é um mecanismo estimulador, ou seja, a novidade é uma ponte didática para estimular a aprendizagem e a memória, além de tornar mais agradável e eficiente o desafio de aprender. Essa conclusão fornece aos educadores uma possível ferramenta para a estruturação de suas aulas: o uso estratégico de conteúdos surpresas. E, na prática seria conveniente considerar que muitos professores estão habituados, primeiramente, rever a matéria da última aula antes de passar para o novo tema.

Não se trata de negligências a revisão de conteúdos o que se propõe é apresentar nos primeiros momentos da aula o novo conteúdo – revestido (se possível) de criatividade, a fim de provocar impacto e preparar o cérebro para novas construções. Assim, as atividades de revisão, nem sempre estimuladoras, fossem retornadas num ritmo mais agradável.

“Ensinar e aprender tem que ver com o esforço metodicamente crítico do professor (...) a prática educativa envolve afetividade, alegria, capacidade científica, domínio técnico a serviço da mudança ou, lamentavelmente, da permanência do hoje.” (FEIRE, 1996. p 143)

5. O afeto e a Aprendizagem

O ser humano nasce com predisposição para interagir. Para sobreviver necessita estabelecer uma relação estável com outras pessoas em seu ambiente. Com esta relação os padrões afetivos se desenvolvem, fornecem substrato para aprendizagem que vai se processando lenta e gradual. É neste contexto que o bebê dá início à construção de seus esquemas e da sua afetividade.

A educação infantil é o referencial básico desta inter-relação do professor com a criança que gera uma proximidade afetiva. Essa inter-relação é o fio condutor e o suporte emocional da aprendizagem.

“A atividade docente de que a discente não se separa é uma experiência alegre por natureza (...) A afetividade não se acha excluída da cognoscibilidade. O que não posso obviamente permitir é que minha afetividade interfira no cumprimento ético de meu dever de professor no exercício de minha autoridade.” (FREIRE, 1996. p 141)

A criança precisa ser amada, aceita, acolhida, ouvida etc. a fim de que possa despertar para vida da curiosidade e do aprendizado. A presença satisfatória do adulto dá a criança segurança física e emocional preparando-a para o aprendizado.

“O amor é um sentimento nobre que tem a capacidade de fazer o ser humano feliz. Todos nascem para a felicidade. Esta é uma verdade universal. Em qualquer cultura por maiores que sejam os obstáculos ninguém quer ser infeliz (...) Quando se falar em felicidade se fala em amor (...) o amor que faz com que o equilíbrio possa ser visível. O amor simplesmente o amor.” (CHALITA, 2001. p 245)

O afeto e a inteligência se estruturam nas ações e pelas ações dos indivíduos sendo o afeto entendido como uma fonte energética necessária para que a estrutura cognitiva passe a operar, ou seja, sem matéria-prima não podemos operar o produto.

O afeto influencia a velocidade com que se constrói o conhecimento, pois quando o indivíduo se sente seguro aprende com mais facilidade. Tanto a inteligência quanto a afetividade são mecanismos de adaptação do ser humano com o mundo onde está inserido.

O afeto é também um regulador de ação influindo na escolha de objetivos e na valorização de si próprio. O papel do professor é específico. Ele prepara e organiza o universo onde os indivíduos atuam, buscam e se interagem. A postura do professor se manifesta na percepção e sensibilidade do interesse do aluno de sentir o mundo.

A postura do professor se manifesta na percepção e sensibilidade do interesse do aluno de sentir o mundo.

“Para ser validada toda educação, toda ação educativa deve necessariamente ser precedida de uma reflexão sobre o homem e de uma analise do meio de vida concreto, do homem concreto a quem queremos educar, ou melhor: a quem queremos ajudar a que se eduque. Se vier faltas tal reflexão sobre o homem corre-se o risco de adotar métodos educativos e maneiras de agir que reduzem o homem a condição de objeto, quando a sua vocação é a de ser sujeito e não objeto.” (FREIRE 2000)

 CONCLUSÃO

Retomando o que já foi dito sobre a aprendizagem, está não é uma ação mecânica, uma simples transmissão do professor que ensina e do aluno que aprende. Ao contrário, é uma relação recíproca na qual se destaca o papel dirigente do professor e as atividades do aluno. O ensino não subsiste isoladamente, mas na relação com a aprendizagem e esta exige atividade mental para se concretizar.

Jonhn Dewey (filósofo e educador norte-americano defendia a democracia e a liberdade de pensamento como instrumento para a maturação emocional e intelectual da criança. 1859-1952): “Só se aprende a fazer fazendo”.

As atividades extraclasse colocam o educando em condições de mostrar o que foi aprendido devido a participação do aluno. A participação só faz sentido quando o aluno está motivado, ávido por saber, manifestando, espontaneamente, o desejo de novas informações. A isto chamamos de liberdade.

Portanto, todo ensino deve visar o conhecimento, a habilidade e atitude que não sejam mostruários apenas nas avaliações escolares, mas principalmente, fora dela. Deve o professor contribuir em sua prática didática para a construção de conhecimentos essenciais para a vida do aluno e não se detendo em aspectos secundários e memorísticos que pouco contribui para o impacto cognitivo. A aprendizagem não pode ser lógico-matemática e lingüística, precisa ser integral.

O afeto contribui para que o aluno se sinta seguro para elaborar e esquematizar atividades (sejam escolares ou lúdicas). Quando se sente fragilizado, seja qual for o motivo a memória não ajuda. A qualidade da aprendizagem depende da saúde física e emocional e todo professor deve atentar-se para isto.

“Não basta aprender a conhecer. É preciso aprender a pensar, a pensar a realidade e não apenas pensar pensamentos, pensar o já dito, o já feito reproduzir o pensamento (...) É preciso pensar também um novo, reinventar o pensar, pensar e reinventar o futuro.” (Moacir Gadott)

Bibliografia
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia – Saberes Necessários a Prática Educativa, São Paulo: Paz na Terra. 1996.
MATTOS, Luiz Alves de. Sumário da Didática Geral. 16ª ed., Rio de Janeiro: Ed Aurora, 1963.
DROUET, Ruth Caribe da Rocha.  Distúrbios da Aprendizagem. 2ªed., São Paulo: Ática, 1995.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia – Saberes Necessários a Prática Educativa, São Paulo: Paz na Terra. 1996.
CHALITA, Gabriel. Educação a Solução Está no Abfeto. São Paulo: Ed. Gente. 2001.
FREIRE, Paulo. Uma Escola Chamada Vida. São Paulo: Ed. Ática. 2000.
Periódico:
FENKER, Daniela & HARMUT, Schutze. Revista Mente/Cérebro – ano XVI, nº193 artigo – O fascínio da surpresa. p. 38

Ana Lúcia Leonardo Carriço
Bacharel em Educação Religiosa.  Licenciatura em  Pedagogia com  Habilitação em Administração Educacional. Pós-Graduação em Docência Superior e Psicopedagogia. 
Mestre em  Ciências da Religião. Professora do Seminário Teológico Batista em Duque de Caxias, RJ  e Inspetora Educacional da Secretaria Estadual de Educação, RJ




RESENHA DO LIVRO: O CONTRABANDISTA DE DEUS


Sinopse

Quando era garoto, Irmão André gostava de brincar, imaginando-se um espião em território inimigo. O que ele não podia sequer imaginar é que bem mais tarde se tornaria um agente secreto de Deus com uma difícil missão: levar Bíblias para os cristãos das igrejas perseguidas pelo regime comunista, na Rússia e nos países da Europa, na década de 50.

Embora fosse impossível para um missionário cristão passar pela Cortina de Ferro, André sabia que para Deus não havia impossibilidades. Ao ter de atravessar a fronteira de algum país, com sua mala e seu fusca cheios de Bíblias, folhetos e material impresso, ele orava assim: - “Senhor, na minha bagagem há Escrituras que desejo levar para os teus filhos, que estão do outro lado desta fronteira. Quando estiveste na Terra, fizeste os olhos dos cegos ver. Agora eu peço: faze com que os olhos desses que vêem fiquem cegos. Não deixes os guardas verem as coisas que tu não queres que eles vejam”. E Deus atendia sua oração.


Irmão André 
Informações

A obra literária "O Contrabandista de Deus", conta a história verídica de um dos maiores missionários do Século XX, o irmão André, fundador da missão Portas Abertas, conhecida internacionalmente como Open Doors.




O livro "O Contrabandista de Deus" é dividido em vários capítulos que exploram a vida pessoal do missionário holandês, desde a sua criação, conversão, começo no ministério, casamento, criação dos filhos e velhice, até as milagrosas histórias de contrabando de Bíblias para os países da URSS e China, além de explorar a beleza dos diversos países em que ele conheceu, curiosidades sobre as estradas, sobre a liberdade do povo e a burocracia dos estados socialistas. Suas atualizações após 2001 também apresentam um apêndice contendo o trabalho nos países árabes.

O Contrabandista de Deus leva o leitor a entender o que é uma vida entregue totalmente a Jesus. O irmão André ensina através de sua comunhão intima com Deus lições importantes sobre fé, confiança em nosso Senhor, ousadia e visão de corpo, ao demonstrar o seu amor aos cristãos da Cortina de ferro.

No livro "O contrabandista de Deus", pode-se entender o motivo que levou o Irmão André a entrar na lista dos perigosos da KGB (polícia secreta da URSS), devido as suas atitudes "subversivas", ao levar a palavra de Deus para os cristãos que não tinham se quer uma bíblia em casa. Ele também é conhecido pela revista britânica Time, como o autor de uma das maiores façanhas da história Cristã, ao levar um milhão de Bíblias para a China de forma clandestina e em um só dia.

Conclusão

"O Contrabandista de Deus", é mais que uma simples biografia de um missionário cristão de destaque, pois ela fortalece a nossa fé, amplia a visão do Reino de Deus, incentiva a prática do amor aos inimigos e é uma lição de coragem e confiança em Jesus, demonstrando que para isso precisamos sempre nos voltar ao nosso criador e se entregar de corpo, alma e espírito a Ele.

Você vai se emocionar com o testemunho do contrabandista de Deus, marcado pelo amor à Igreja Sofredora e aos irmãos que viviam sob a repressão do comunismo. Uma história repleta de fé, coragem e ousadia, que nos inspira e desafia a sermos testemunhas fiéis do amor de Deus mesmo sob circunstâncias adversas.

Danielle Soares Pinho da Fonseca
Professora dos EBD dos Adolescentes da Igreja Batista Filadélfia, AM. 
Bacharel em Teologia. Licenciatura em Psicologia e Sociologia. Pós-graduada em Liderança e Missiologia. 


domingo, 20 de abril de 2014

QUEM MEXEU NO MEU QUEIJO

O título desta crônica é baseado no best-seller “Quem mexeu no meu queijo?”. É um livro motivacional cujo autor é um médico norte-americano, Spencer Johnson. “Quem mexeu...” conta uma parábola sobre quatro personagens: dois ratinhos, Sniff e Scurry, e dois "homenzinhos", Hem e Haw. E mananciais de queijos. O livro é uma alegoria que retrata os objetivos que cada um de nós temos e as mudanças a que estamos sujeitos durante a busca destes objetivos. “Quem mexeu...” nos ensina as vantagens de se adaptar às mudanças que ocorrem no trabalho e na vida. Da atitude que cada personagem toma diante das adversidades da vida.

Na parábola os quatro personagens estão em busca de um mesmo objetivo: um posto repleto de queijo. Para os homenzinhos, Hem e Haw, o queijo é uma metáfora que representa o que eles procuram na vida, seja algo material, um relacionamento, um cargo em uma empresa, etc. No entanto, os personagens esquecem de que, à medida que fazem uso do queijo, este vai acabando, ou melhor, desgastando. Ao perceberem que o queijo terminou, cada um toma uma atitude diferente - da mesma maneira que cada um de nós, que também assumimos posturas diferentes diante de uma dificuldade, uma mudança. O livro passa, então, a mostrar como cada personagem lida com a mudança e como eles reagem a ela. 

Mas qual brasileiro que não está preparado para mudanças? Antes mesmo de se ser alfabetizado, aqui se aprende a lição da adaptabilidade. Do contrário não se chega à idade adulta. 

A questão é quem é o autor da nossa mudança. Deus? O acaso? Tenho um amigo que recorre a uma simples oração toda vez que pressente sinais de instabilidade. “Meu Deus, prepara-me para as tuas mudanças. Amém”. 

Se para você as modificações são obra do acaso, não há muito que fazer. As coisas se complicam e são difíceis de organizar. 

Se você acha que Deus é o autor das mudanças, aprenda a descansar. “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele e ele tudo fará” (Salmo 37:14). “Pois eu bem sei os planos que estou projetando para vós, diz o Senhor; planos de paz, e não de mal, para vos dar um futuro e uma esperança”, ensina Jeremias 29:11 

Lição nº 1: de Deus sobre mudanças: Deus é muito organizado. Aprenda a reparar os sinais da mudança. Ele sempre dá pistas que está mexendo no seu queijo. Quando criou a vida na terra, Deus começou com a luz. Ele fez o dia e a noite, porque queria dar um marco para o término do trabalho. E para apreciá-lo. No dia seguinte, Deus recomeçava. A criação não foi um ato instantâneo. Como a mudança não é instantânea, embora pareça ser. 

Lição nº 2: aceite a sua confusão diante da sucessão de novidades. Tudo vai parecer um grande e embaralhado quebra-cabeças. No tempo certo, o desenho vai ganhar forma e contorno. O design se apresentará de tal forma que será como se você ouvisse d’Ele a mesma apreciação que encontramos em Gênesis 1:10b: “E Deus viu que o que havia feito era bom”.

Lição nº 3: a mudança também ensina que nada é eterno. E que o nosso esforço em construir uma rotina é justo e saudável, mas inútil. A qualquer momento, a (às vezes inaudível) voz de Deus pode ordenar uma reviravolta.

A parábola mostra, então, que a vida não é necessariamente um caminho livre de obstáculos mas, sim, uma caminho repleto de sobressaltos e adversidades. A diferença é a maneira com que cada ser humano lida com tais adversidades.

Na verdade, ninguém está preparado para isso. Mas não custa ir examinando o assunto, não é? 

Sirlene da Costa Siqueira
Professora da EBD. Diaconisa. Pedagoga, Psicóloga. 
Pós-graduação em Psicologia Clínica e Terapia Cognitivo-Comportamental.

COMO DESPERTAR NA CRIANÇA O INTERESSE PELA LEITURA

A leitura não é apenas uma das ferramentas mais importantes para o estudo e o trabalho, é também um dos grandes prazeres da vida. Num mundo onde cada vez mais os meios de comunicação dominam o interesse das novas gerações, os pais freqüentemente se preocupam em criar nas crianças hábitos de leitura. As bibliotecas desempenham um papel importante no interesse das crianças pela leitura. (Maurilo Clareto/AE)


O ensino da leitura para crianças pequenas tem sido um tema polêmico. Alguns professores entendem que os ensinamentos domésticos podem interferir nos sistemas escolares. Sem dúvida, hoje está plenamente aceito o fato de que pais e professores dividem a responsabilidade pela educação. De maneira nenhuma se pretende que os pais cumpram a função dos professores, porque não têm a capacitação necessária para ensinar a seus filhos as técnicas básicas. O resultado poderia confundir a criança, que não saberia bem que instruções seguir e isso a faria sentir-se tensa e resistente à leitura. Temos que lembrar que a tensão e o nervosismo são inimigos da aprendizagem. Primeiro passo - Algumas crianças demonstram resistência à leitura. Nesse caso, os pais devem investigar se existe alguma razão especial que motivou esse comportamento. A criança é inquieta demais e tem dificuldade para se concentrar? Rebela-se contra o que considera uma ampliação de suas tarefas escolares? Recebeu na escola a preparação necessária? Os pais demonstram suficiente interesse pela leitura? A criança resiste a ler qualquer livro ou demonstra interesse por algum tipo de leitura? A criança tem algum problema emocional? Determinar a origem do problema será o primeiro passo para resolvê-lo. 

Os primeiros livros - É aconselhável dar ao pequeno leitor livros simples e curtos. As crianças que são resistentes à leitura costumam contar as páginas de um livro e desanimam ao pensar que a leitura pode lhes tomar muito tempo. Os livros ilustrados ajudam muito a atrair o interesse imediato da criança. Livros com pouco texto, de preferência com letras grandes, e uma grande quantidade de ilustrações são ideais para que as crianças se iniciem na leitura. Geralmente, as crianças preferem livros com poucas narrativas e muitos diálogos. Nesse sentido, os livros de aventura, em que há muita ação, são mais adequados. Algumas histórias de detetives são também muito indicadas porque se parecem com alguns programas de televisão familiares à criança.

Bibliotecas e feiras de livros - As bibliotecas desempenham um papel importante no interesse das crianças pela leitura. Em alguns países, as bibliotecas têm grandes seções dedicadas à literatura infantil, com móveis especialmente desenhados e estantes com altura adequada, permitindo que as crianças escolham livremente o livro que desejam. Em outros países, as bibliotecas não contam com as mesmas facilidades e dificilmente uma criança se sentirá motivada a ler. Apesar disso, é importante que as crianças saibam para que serve uma biblioteca e, se possível, que estejam inscritas numa biblioteca próxima de casa.

Com as livrarias acontece algo parecido. Existem muito poucas dedicadas à literatura infantil e as grandes livrarias, muito freqüentadas pelos adultos, têm uma seção muito pequena dedicada às crianças, ou simplesmente não têm nenhuma. No entanto, as feiras de livros infantis são bem aceitas pelo público. A visita a uma dessas feiras motivará a criança a estabelecer uma boa relação com os livros, que será mantida durante toda a sua vida. Oficinas e palestras costumam ser atrações especiais nesse tipo de feira que também expõem os catálogos completos das editoras que publicam livros infantis e das novidades editoriais neste campo.

É possível conseguir bons livros infantis em edições relativamente baratas. Pode-se comprar certa quantidade de livros em edições simples, ou comprar um número menor de livros em edições caras e primorosas. É impossível comprar todos os livros que as crianças querem, mas é possível ensinar-lhes a escolher quais são os mais importantes e interessantes.

Ajude seu filho a formar sua própria biblioteca - É uma boa idéia estimular as crianças a formarem suas próprias bibliotecas - que podem ser compartilhadas com seus irmãos e amigos - e a colaborar, sempre que possível, com a biblioteca da escola. Comentar uma determinada leitura com outras crianças pode ser uma atividade interessante, da qual podem surgir novos interesses que levem, por sua vez, a novas leituras.

Alguns pais acham positivo ler os mesmos livros que seus filhos e comentá-los com eles. Isso não apenas estimula a criança a ler, como também estimula a comunicação entre pais e filhos.

Procure fazer com que a criança acumule experiências que a motivem a ler - Ajudar a criança a acumular experiências relacionadas à leitura a motivará a seguir em frente. Se, num programa de televisão, um livro famoso é mencionado, por exemplo, A pequena sereia, seria interessante dar-lhe de presente esse livro de Hans Christian Andersen.

Devemos nos lembrar que não existem apenas livros de literatura. É importante que a criança conheça, desde pequena, a variedade de gêneros disponíveis. Alguns livros de história para crianças (sobre os egípcios, os gregos e os romanos, por exemplo) podem ser muito didáticos - se elaborados com parágrafos curtos e muito bem ilustrados. O mesmo acontece com alguns livros sobre ciência, que incluem experiências ou atividades. Esse tipo de leitura pode despertar o interesse das crianças por assuntos antes desconhecidos e que podem ser aproveitados na escola.

Alguns livros de histórias sugerem aos pais atividades para serem desenvolvidas com os filhos quando terminar a leitura. Pode-se, por exemplo, fazer um passeio no qual a criança anote as formas que vê e as cores da natureza. Pode vir uma receita típica de algum país, alguma experiência científica simples etc. Tudo isso motivará a criança a ler mais, para depois dedicar-se às atividades relacionadas com as experiências que fez.

Leia para seu filho. A leitura em voz alta pode ser muito importante para motivar seu filho. Além disso, é uma oportunidade para que a criança saiba o que você considera benéfico ou importante. Pode-se ler com ela, por exemplo, uma versão do Dom Quixote para crianças, histórias de aventuras ou lendas de sua cidade ou país. Qualquer assunto pode ser bom para que você e seu filho passem alguns momentos juntos. Talvez a hora mais adequada para ler para ele seja antes de deitar-se. É importante respeitar o horário escolhido para formar o hábito. Se houver filhos de várias idades, é uma boa idéia escolher livros sobre mitos e lendas, ou talvez algum livro de aventuras, como os de Júlio Verne. Embora seja aconselhável que os pais escolham os livros, não se deve forçar as crianças a lerem o que não querem. Algumas crianças, desde cedo, se sentem inclinadas a ler autores clássicos, embora em adaptações infantis, ao passo que outras resistem a esse tipo de livros. O importante é que a criança adquira o hábito da leitura. Deve-se respeitar a personalidade e os gostos da criança. Não é bom criticar as preferências das crianças em matéria de livros. É importante lembrar que nem todas as crianças têm o mesmo grau de maturidade, a mesma disposição ou o mesmo grau de sensibilidade e de interesse. Posteriormente, será mais fácil orientá-la para que aprecie uma boa leitura. É tarefa dos pais e professores fazer com que as crianças tenham, ao alcance da mão, livros de boa qualidade, de maneira que possam se acostumar à boa literatura. Uma vez que a criança tenha desenvolvido o interesse pela leitura, é pouco provável que o perca, especialmente se tiver adquirido desde cedo o hábito de ler. Embora desenvolva outros interesses e algumas vezes não tenha muito tempo para ler, cedo ou tarde a criança retomará o hábito da leitura.

É importante que os pais participem com as crianças e, principalmente, que lhes dêem o exemplo. As crianças cujos pais lêem certamente também o farão. Uma boa idéia é dar livros de presente no Natal e nos aniversários e possuir uma biblioteca aberta a todos os membros da família. Há uma grande diferença entre ler porque a leitura é obrigatória para o estudo e ler por prazer ou educação. É importante estimular a leitura na criança como uma experiência valiosa e prazerosa. Isso será uma grande fonte de satisfação tanto para as crianças quanto para os adultos que as acompanharem nesta aventura.

Silvino Carlos Figueira Netto
Bacharel em Teologia pelo STBSB. Mestre em Ciência da Informação pela UFRJ. Doutor em Educação pela UFRJ. Publicou vários Livros., Professor do CEFET. Tem vasta experiência na área de Educação.

EM ALGUM LUGAR DO PASSADO

Peguei carona nesse clássico da década de oitenta, para falar de um sentimento que mexe muito comigo: patriotismo. Talvez alguém não entenda bem o que uma coisa tem a ver com a outra. Eu explico. É que estaremos comemorando duas datas muito significativas no calendário nacional: Dia do Soldado e Dia da Pátria. Reparem na proximidade entre uma e outra. Seria coincidência? Eu digo que não. As páginas de nossa história mostram que uma é segmento da outra.

A razão de eu usar esse clássico como título, é por perceber que as comemorações dessas datas estão ficando cada vez mais apagadas, frias, lembrando mais uma obrigação que uma devoção. Para sentir essa diferença, vale lembrar o estilo garboso de se comemorar esses eventos nos anos que se foram. Quem não lembra do povo se espremendo nas calçadas ao longo das avenidas, agitando no ar as bandeirinhas verde-amarelas para saudar os militares ostentando suas medalhas? E as escolas? Todas com seus uniformes de gala, impecáveis, brilhando no desfile. Nessa época áurea isso era imperdível!

Por que será que essas celebrações vêm perdendo o seu glamour? Entendo que patriotismo é algo que nasce com a gente e não tem prazo de validade, é herança bendita e é pra sempre! tipo “gen” que nos identifica perante o mundo. Entendo que ser patriota é deixar exposto esse sentimento na alma e no coração; que os símbolos de nossa nação são sagrados e representam o nosso maior legado. Cresci com esta certeza. É emocionante ver o jeito de cada povo comemorar suas datas nacionais; faz parte de seu baú cultural. É lindo presenciar esse mosaico cívico explodindo em todos os continentes.

Sempre ouvi dizer que aprendemos a dar valor a um bem quando o perdemos. Confirmei isso quando morei no exterior e vi muito imigrante chorar diante de sua bandeira, não podendo rever sua terra sem correr o risco de comprometer seu retorno, por estar numa situação ilegal num outro país. Vi também muitos “brasis” cantando a sua origem, cheios de paixão por nossas raízes, encantando os estrangeiros com a beleza de nossa língua. Nas festas natalinas em várias igrejas era tradição cada um cantar em seu idioma as músicas pra essa ocasião. Belo exemplo de patriotismo preservado.

Relembrando essas experiências marcantes em meu viver, eu pergunto: será que é exatamente lá, em algum lugar do passado, que adormeceu o sentimento de patriotismo de muita gente, filhos desse Brasil imenso, exuberante, celeiro que vem alimentando outras nações desde a sua descoberta? Será que esqueceram lá os atos heróicos dos que deram a vida por essa pátria amada? Será que é lá que se perdeu o pulsar vibrante dos corações brasileiros por seu brasão e seu hino? Será que é lá, nesse passado nem tão distante, que o Grito do Ipiranga ainda tenta tirar do berço esplêndido os que permanecem dormindo, alheios aos valores implícitos em sua bagagem original?

Quando nossos soldados estiverem marchando, e estivermos entoando o hino de nossa pátria, vamos derramar a alma diante de Deus e agradecer por essa terra abençoada e pelos que tombaram por ela. Vamos erguer a bandeira brasileira e gritar em alta voz, para que o mundo inteiro ouça: sou brasileiro e sou feliz!

Prof.a Ruth Pessanha Vianna
Pedagoga, Escritora laureada no Brasil e no Exterior.
Membro Titular da Academia Evangélica de Letras do Brasil – AELB.